
Terremoto, tsunami, avalanche são palavras que servem para descrever o que ocorreu em Palmares nos últimos dias, do mês de junho de 2010. A cidade foi pega de surpresa pela enchente, não dando tempo a população de salvar seus pertences, móveis e até mesmo seus parentes. Muitos ficaram em suas casas no primeiro andar, em cima de lajes, achando que as águas não iram chegar, e tiveram que ser socorridos, de urgência, por helicópteros, Corpo de Bombeiros, lanchas e tantas outras formas de salvamento para não perderem suas vidas. A força das águas foi tanta que as casas caíram em efeito dominó, pontes partiram, assim como árvores, carros e postes foram arrastados pela correnteza.
Tristeza maior não há. As vítimas estão ainda em estado de choque. O sentimento é de desespero, dor e muita aflição de todos aqueles que perderam parentes, lojas, casas, móveis e ficaram só com a roupa do corpo. Tudo foi destruído. “Palmares não existe mais”. É o que as pessoas falam de um canto a outro da cidade. O município ficou submerso pelas águas, e, certamente, é um dos mais atingidos da região da Mata Sul. O cenário aqui é caótico. A população atingida pela enchente está abrigada em escolas, casas de amigos e parentes. E não sabe o que fazer porque suas casas já não existem mais. A cidade está em calamidade pública. Falta energia, água, comida, roupa, remédios, material de limpeza, higiene, colchão, cobertor, toalha, etc.
Em toda parte da cidade, é gente que vai, é gente que vem, é gente curiosa, é gente que atrapalha, é gente que assusta, é gente que xinga, é gente que se aproveita da fragilidade e da situação de miséria das pessoas vitimadas para saquear e invadir residências, sem falar daquelas que querem explorar vendendo mercadorias acima do preço, mas também há gente solidária e que não mede esforços para ajudar o seu semelhante.
Desolação. É palavra que fica depois do caos. Esse é o cenário estampado no visual da cidade e nos rostos das pessoas. A pergunta agora é: como recomeçar? Tudo está perdido. Os prejuízos são incalculáveis. Muitos prédios históricos foram danificados; outros caíram completemente comprometendo até a própria história da cidade. Diante de tanto caos, destruição, dor e sofrimento, certamente, o Haiti é aqui. Mas, sejamos fortes, amigos! Vamos recomeçar...
LER É PRECISO
"para a história nada se perde, cada fragmento carrega a memória e o tempo".
LER É PRECISO
Estou cansada de ouvir que os jovens não gostam de ler, muito menos de escrever. As reclamações parecem ser unânimes: dos pais, dos professores e até mesmo dos próprios jovens. Na escola, são várias as tentativas para fazer os jovens lerem. Muitas vezes, a escola não conhece a causa da recusa dos jovens em relação à leitura e termina impondo-a como parâmetro para incentivar o gosto pela leitura, mas quase sempre as experiências dão erradas. Primeiro porque não é obrigando que se fará com que os jovens leiam. Segundo porque ninguém aprende a ler só porque o professor ou alguém diz: “A leitura é fundamental!”. “Leiam”! Isso em nada acrescentaria a um jovem que não foi trabalhado para desenvolver o hábito da leitura. Ninguém nasce sabendo. Também não se aprende a ler de um dia para outro. Daí a importância de se estimular a criança desde cedo a ter acesso ao livro, de preferência, livros interessantes que estimulem a imaginação e que sirvam de exemplos para o seu desenvolvimento intelectual.
Livros, revistas, jornais, poesias, contos, romances são excelentes fontes de leitura, porém é preciso estar em sintonia com aquilo que os jovens gostam/gostariam de ler, para que a leitura venha a se processar sem bloqueio, sempre fruto do desejo e da curiosidade. Está mais que provado que quando a leitura interessa, ao contrário do que muita gente pensa, o jovem vai além das expectativas do professor. Já presenciei muitos alunos meus devorando livros, entusiasmados com a leitura e prontos para prosseguir adiante. Quando isso acontece, é porque a leitura, na verdade, sempre esteve presente nas suas vidas. Neste caso, a leitura torna-se um prazer. É fato também que esses jovens, nos seus primeiros anos, tiveram pais que leram para eles. Por outro lado, outros com ojeriza à leitura, sem vontade, sem estímulo para ler, justamente porque muitos não aprenderam a ler ou a leitura recomendada de alguns livros não chamou sua atenção. Isso sem esquecer que os jovens da escola pública, na sua maioria, chegam à escola já desestimulados. Os pais não os acompanham, muitos são analfabetos; e outros nem se preocupam com o que venha acontecer com seus filhos.
É muito fácil ou até cômodo dizer que os jovens não gostam de ler. Para mim, isso é um mito ou uma desculpa para fugir da realidade encontrada na grande maioria das escolas públicas de todo o país. Os jovens gostam sim de ler. O problema é que nem sempre a escola está preparada para desenvolver o hábito da leitura.
O que me parece urgente é fazer com que a leitura seja estimulada, não importa a série ou a idade, o ideal é dar condições, criar oportunidades para que os jovens entrem em contato com a leitura de bons livros, mas essa leitura jamais poderá ser solta, sem direção ou de forma aleatória. Fazer a leitura entrar na vida dos jovens não é só questão de um incentivo a mais, mas ela é uma das ferramentas importantes para o pleno exercício da cidadania. Acho que não é jogando a responsabilidade para os jovens que escola ensinará a ler, antes é tarefa precípua dela. Assim sendo, a escola precisa tornar o ato de ler em experiências interessantes e gratificantes para busca de um leitor competente, fugindo, lógico, dos maçantes trabalhos de leitura que em nada acrescentam à vida dos jovens. É muito fácil ou até cômodo dizer que os jovens não gostam de ler. Para mim, isso é um mito ou uma desculpa para fugir da realidade encontrada na grande maioria das escolas públicas de todo o país. Os jovens gostam sim de ler. O problema é que nem sempre a escola está preparada para desenvolver o hábito da leitura.
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